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Movimento dos médicos na saúde suplementar continuará
Esta foi a decisão dos profissionais reunidos na Associação Paulista de Medicina, na noite de 9 de maio. As lideranças da APM, Conselho Regional de Medicina (Cremesp), sindicatos dos médicos, Regionais e Sociedades de Especialidade rechaçaram a medida Secretaria de Direito Econômico (SDE), ligada ao Ministério da Justiça, pela qual as entidades médicas nacionais estariam impedidas de mobilizar a categoria por honorários dignos.
"Estamos incomodando, o que é muito positivo. Apenas defendemos uma aspiração legítima de cada médico por remuneração justa. O estudo técnico da Fipe [Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas] comprova a defasagem dos valores de consultas praticados hoje, enquanto as recentes pesquisas do Datafolha denunciam as interferências das operadoras sobre a autonomia profissional, ao restringir exames, cirurgias e internações", ressalta Jorge Carlos Machado Curi, presidente da APM. "É consenso entre as entidades que o movimento não deve parar. Não recuaremos até recuperar nossas perdas financeiras e conquistar o reajuste anual."
Mais uma vez, as representações dos dentistas, dos hospitais e clínicas e da defesa do consumidor demonstraram publicamente apoio ao movimento dos médicos. Participaram do encontro Emil Adib Razuk, do Conselho Regional de Odontologia; Danilo Bernik, do Sindhosp; e Poliana Carlos da Silva, da Pro Teste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor.
"A inversão de papeis nesta reação da SDE é sintomática. Não somos o poder econômico, mas sim os prestadores de serviço", resume Razuk.
Na opinião de Florisval Meinão, 1º vice-presidente da APM e diretor da Associação Médica Brasileira, este novo fato não pode desviar o foco do movimento. "Isso já ocorreu há 15 anos e é natural que se repita quando a realidade da relação médico-operadora é escancarada perante a opinião pública. Sabemos que grande parte das decisões da SDE foi rejeitada pela Justiça, pois a Constituição nos resguarda o direito de exigir condições adequadas de trabalho", avalia.
Negociações
Conforme o cronograma nacional de mobilização, as negociações continuam. Em São Paulo, foram procuradas 15 empresas:
Medicina de grupo: Amil, Gama Saúde, Golden Cross, Green Line, Intermédica e Medial.
Autogestão: ABET (Telefônica), Caixa Econômica Federal, Cassi, Companhia de Engenharia de Tráfego, Embratel e Geap.
Seguradoras: Marítima, Notredame e Porto Seguro.
As entidades médicas têm a expectativa de que as conversações com as operadoras e seguradoras evoluam a contento até o fim de maio para que não haja qualquer tipo de enfrentamento.
Também integraram a mesa do encontro Tomás P. Smith-Howard, diretor de Defesa Profissional da APM; Renato Azevedo Junior e João Ladislau Rosa, do Cremesp; e Cid Carvalhaes e Álvaro Norberto Valentim da Silva, da Fenam.

